Pé Na Estrada

2016-05-27 17.24.51-1

  Decidi ir com a roupa do corpo mesmo. Não fiz nenhuma mala. Joguei o celular no banco no silencioso, não queria escutar ele tocando. Eu precisava de um tempo  pra mim. Colocar as ideias em ordem e a única coisa que me faz relaxar é pegar o carro e seguir, sem destino.

  O som do vento me satisfazia. É pura calmaria. Eu gritava, aumentava o som naquela musica que me fazia vibrar. Eu estava realmente me sentindo viva, como a muito tempo eu não sabia que isso existia. Era só eu, Deus e as paisagens!

   A cada curva que eu fazia naquela estrada que eu conheço de olhos fechados, me fazia lembrar cada dia que fiz mil em mil pedaço para poder estar ao seu lado. Então eu gritava, gritava e gritava. Eu estava com muita raiva, e não era de você e sim de mim mesma. Deixei alguém me dividir em mil pedaços.

  No caminho vi uma pequena estrada que me dava até uma cachoeira, não pensei duas vezes e lá entrei. Eu sabia que era perigoso, só que naquele momento eu já nem sabia mais o que era perigoso. Fui seguindo e vi aquela maravilha de água branca caindo entre as pedras e o som da água. Desliguei o carro e observei. Não tinha ninguém ! Aquela raiva toda que eu estava sentindo, foi sumindo. E então eu já nem sabia qual sentimento me dominava.

   Deitada no capo do carro as 17:00 da tarde, fiz uma breve analise da minha vida e percebi que muita coisa que aconteceu ou acontecia comigo era porque eu permitia. E ultimamente eu só permitia coisas ruins. Era como um vídeo cassete, que a gente rebobina a fita… Então fui e fui. Mesmo sabendo que não adianta se lamentar pelo leite derramado, tomei uma decisão… Ali, naquele lugar maravilhoso, prometi que não deixaria mais que esses sentimentos ruins me consumissem e muito menos entregar a minha vida de bandeja para alguém, não até o ponto que eu sinto que é reciproco.

  Decidi molhar meus pés e fui descendo, as pedras escorregadias me fazia lembrar dos momentos que precisei me equilibrar para não desmoronar. E ali, eu vi o quanto eu era forte para enfrentar um desafio gigantesco sem sair com um arranhão. O primeiro toque nos meus pés me congelou até a alma. Aquela água era realmente muito gelada. fui descendo e quando me vi em um nível favorável… Me joguei de cabeça ! O que adianta molhar os pés e não a alma? – NADA.

  Acho que passei mais ou menos umas 1 horas naquela água que me fez relaxar, pensar e entender que a vida é assim… É você que precisa trilhar seu caminho e não deixar a sua vida tão entregue nas mãos de alguém. A sua vida só pode estar nas suas mãos!

  Molhada dos pés a cabeça e com a melhor sensação no coração eu precisava ir embora. Subi pela estradinha de terra ate chegar no carro. Lembrei que eu não levei nenhuma roupa e a única solução era ir daquele jeito mesmo. E fui…

  Voltando para o meu destino local ao som de Planta e raiz (Vamos Fugir), percebi que o  guarda na beira da estrada fazia sinal para eu parar. Abaixei o som e ele já estava colado no meu vidro e pedindo meus documentos. Procura daqui e dali, lembrei que fica no quebra-sol do carro. Entreguei sem falar uma palavra. Ele verificou umas, duas, três vezes… Eu não entendi nada, apenas esperei. E lá vem ele me perguntando o que eu estava fazendo aquela hora na estrada. Eu quase virei e fiz a mesma pergunta, só que lembrei que é desacato a autoridade !. Fiquei pensando, pensando e respondi:

  – Seu guarda, se eu soubesse eu até te responderia. E dei um sorrisinho de canto.

  Acho que ele entendeu o recado. Me librou e só pediu que eu não ficasse até tarde pelas estradas. Respondi com um sinal de ok e segui o caminho… Já era quase 21:00 e nem vi aquela quatidade de recados no meu celular, mãe, pai, irmão, amigos enfim… Era tanta gente que nem queria saber por onde começar.

  Já estava em São Paulo, na rua de casa. Entrei sem fazer o mínimo barulho, corri direto para o chuveiro, eu estava morrendo de frio. Agora, com a água mais ou menos quente me deixei levar por aquele som da água da cachoeira na cabeça, eu estava tranquila e pronta para atender o telefone e dizer tudo que fiz. Ou quase tudo…

  A partir daquele momento, eu NUNCA mais fui a mesma!

 

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