Let Me Fly

   
    
   É como gritar socorro e perder a voz, perder a respiração no meio do mar, tentar caminhar e não sentir as pernas, querer abraçar e não ter os braços. Era assim que eu me sentia até você ir embora. Eu deixei a porta por dias entre aberta para ver se voltava. E não voltou. Resolvi fechar. E fechei.
   Fechei tão bem fechada que perdi as chaves para te abrir de volta…Pensando bem, não quero que volte. Eu aprendi a voar sem as suas asas. Criei as minhas.
   Então percebi que não devo criar asas nas pessoas, e sim em mim mesma.   
   Devo voar para qualquer lugar e a qualquer hora. Sem ninguém para me impedir, assim como fazia. Devo criar laços afetuosos com pessoas que me retribuem aquilo que desejo.
   E devo a mim mesma a felicidade encontrada nas esquinas percorridas com as asas que me deste e que me fiz criar.
    Aprendi que não devo permanecer no mesmo lugar para sempre. A constante movimentação me agrada de tal maneira, que hoje não entendo o motivo de permanecer tão fechada por tempos.
   A se eu soubesse que criar asas e voar era tão bom… Meu bem, eu já teria feito antes.

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Ela Nada Sabe

   Que dia é hoje? – Minha mente responde: não sei. Que horas são? – Minha mente também responde: não sei.
    Eu fico me perguntando quando é que a minha cabeça vai saber alguma coisa, e a minha resposta é : Não sei.
    Talvez seja bom nunca saber de nada e deixar o barco correr pelas margens do rio. Tem horas que preciso saber de tudo para concluir tarefas intermináveis… 
    Me pego na madrugada silenciosa depois de dias de muito barulho e não consigo sentir necessidade de colocar para fora tudo que sinto. Preciso ter?
    A madrugada reflete o silêncio que eu gostaria que meu corpo estivesse.

    Boa noite !
    

É Junho

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   6 horas do dia 6 de junho de 2016. Engraçado né?. Para quem acredita em superstição é um ótimo dia para não sair de casa… ou sair.
    É Junho, a época que chove em São Paulo e me pego olhando para a janela de dentro do meu quarto. A movimentação já é grande, mesmo com a chuva lá fora. Pessoas pra lá e pra cá. Observo suas roupas e eu apenas com uma camiseta qualquer. Me imagino em cada pessoa que ali passa, não só nas roupas e sim em cada movimento. Fico tentando me colocar na mente delas só para saber o que elas ou eu estaria pensando lá fora.
    Janela já embaçada, eu deitada na cama escutando o barulho da chuva caindo, com a mistura dos carros passando me faz querer dormir, só que os pensamentos não querem ir embora. Não paro de pensar. Parece que algo aqui dentro com o tempo me faz rebobinar fitas imensas dentro de mim. 
    Junho já não é tão junho desde que entrei para a faculdade(2014) e minha mente anda ocupada para observar as pessoas lá fora ou aqui dentro mesmo. De vez em quando cansa. E quem não cansa da rotina?. Pois é, a gente cresce achando que a vida vai ser uma maravilha (ela é, porém não da forma que escutamos ou de quando se lê). Preciso enfrentar todos os dias os meus milhões “Eu” dentro de mim que hora é inferno outra paraíso.
    Época boa para se lembrar de quando íamos para a casa da vovó, pisava na terra molhada brincando de pega – pega com o cabelo completamente ensopado e ela gritando para entrar, que ela já tinha feito aquela comida preferida e que eu precisava de um banho quente para não ficar doente. Que saudades.
    Quem é que não gosta das festas do mês de junho e principalmente das comidas?… Caramba, já se faz um tempo que não vejo tudo isso, não por falta de tempo e sim de vontade.
    Tantos detalhes. Tantas lembranças, e se tem algo que me move são elas, as lembranças!
     Em cada pessoa que passa lá fora, vejo as minhas histórias no corpo delas. Como será que elas querem comemorar junho?. Será que elas hoje irão encontrar alguém especial?. Algum familiar para tomar um bom café e observar a chuva na janela?. Eu não sei, só espero que o dia delas venha ser tão bom e cheio de lembranças assim como o meu.